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Escrito por Lívio Chaves   
Qua, 17 de Novembro de 2010 14:27

ANGLO-NUBIANA

Originária da Inglaterra, do cruzamentos com cabras comuns Inglesas X bodes Nubianos importados da Nubia, India e Arábia. O resultado foi uma raça muita rústica.

 

A cabeça apresenta um típico e acentuado perfil convexo. Orelhas grandes, largas e pendentes, terminando em ponta voltada para frente, pavilhão interno voltado para a face. Normalmente é mocha, mas pode apresentar chifres. Pêlo curto e lustroso, com coloração extremamente variável, desde preta a branco em todas as tonalidades, ou manchada , sem predominância de qualquer cor. As cores castanho-escuro ou vermelho também são habituais, outras castanhas, amarela, cinza, apatacada (tartaruga).

Produção leiteira: 2 a 4 l/dia, com 4,6% de gordura.

No Brasil tem grande porte; orelhas grandes, largas e pendentes, com as extremidades voltadas para fora; chanfro convexo; presença ou não de chifres; pelagem de cores variadas exceto a totalmente branca, sendo mais comum as cores preta, vermelha, parda e suas combinações; pelos curtos.

 

Aptidão: Carne e leite.

 

CANINDÉ

Origem – Raça naturalizada do Nordeste Brasileiro e provavelmente originária da raça Grisonne Negra, dos Alpes Suíços. Alguns afirmam que o nome é oriundo de "Calindé" que era a tanga branca, de algodão rústico, usada pelos escravos. O escravo vestia sua "calindé" da mesma maneira que essa cabra vestia a sua "calindé", alusão da parte baixa do corpo de cor branca, mantendo-se o restante de cor preta. Outros afirmam ter origem da região do Vale do Rio Canindé, no Piauí. O nome consolidou-se como Canindé. Este, significa "faca pontuda", usada principalmente no Sertão Cearense ou também pode significar as pedras ou lascas rochosas que serviam para afiar lâminas ou peixeiras no sertão do Piauí.

Características - Apresenta a cabeça negra, com mancha baia, de tamanho variado, na região da garganta. Na face, uma faixa branca ("lágrima") estreita percorre a arcada orbitária pelo lado interno (cranial), descendo até os lacrimais, ou pouco mais. Os pêlos da parte externa da orelha são negros, mas claros na parte interna e nos bordos são claros. O focinho é negro. A linha branca ventral tem início na base do peito, seguindo pelas axilas, passando pela região inguinal e pelas nádegas, chegando até á base da inserção da cauda, onde os pêlos das bordas inferiores são claros. Os membros dianteiros e traseiros são negros na frente e brancos atrás, com exceção dos joelhos que são brancos, tanto na frente como atrás. Os cascos são sempre negros. E comum encontrar-se animais com pelagem preta e vermelha ao invés de preta e baia. Apresenta peso corporal médio de 35 kg a 40 kg e altura aproximada de 55 cm. São rústicas e prolíferas.

Aptidão – Mista e pele.

MAROTA

Origem - Tipo naturalizado do Nordeste brasileiro, que se originou de raças trazidas pelos colonizadores. Provavelmente se originou da própria alpina branca. Encontrada nos sertões da Bahia, Pernambuco e Piauí.

Características - Apresenta pelagem branca ou baia. Em geral, apresenta barba e pequenas pintas pretas nas orelhas, que são de tamanho pequeno e com pontas arredondadas. Os pêlos são um pouco maiores nos machos. A cabeça é ligeiramente grande, vigorosa; os chifres são bem desenvolvidos, divergentes desde a base e voltados levemente para trás e para fora, com as pontas reviradas quase sempre para frente, são grossos na base e afinando para as pontas. o pescoço é delgado, propiciando ao animal um aspecto elegante; a linha de dorso é reta; a garupa é levemente inclinada; o corpo é ligeiramente alongado; os membros são alongados, fortes e bem aprumados, terminando em cascos claros; a pele e as mucosas são claras, com pigmentação na cauda e face interna das orelhas, que nem sempre são pigmentadas; o úbere é bem conformado, embora pouco desenvolvido, com tetas claras. Apresenta, em média 36 kg de peso corporal.

Aptidão – Mista e pele.

GRAÚNA

Origem - Tipo naturalizado do nordeste brasileiro, provavelmente, descendente da raça Murciana, trazida da zona árida da região sul da Espanha. Também, conhecida por Preta Graúna ou Preta de Corda.

Características - Apresenta pelagem preta, sem quaisquer outras nuanças. É rústica, com peso corporal entre 35 kg e 40 kg.

Aptidão – Mista e pele.

 

 

MOXOTÓ

Origem - Raça naturalizada do Nordeste brasileiro. Foi introduzida no País pelos colonizadores, é rústica e adaptada a zona semi-árida da região Nordeste. A origem do nome "Moxotó" provém do vale do Rio Moxotó, no Estado de Pernambuco, onde se concentrava a raça. Na atualidade é criada, principalmente, nos Estados da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí.

Características - Apresenta pelagem branca, com o ventre, uma lista que se estende do bordo superior do pescoço à base da cauda, duas faixas longitudinais que se extendem até a ponta do focinho e as extremidades dos membros, de coloração preta. As orelhas são pequenas e as mucosas, as unhas e o úbere, pigmentados. O peso médio das fêmeas é de cerca de 31 kg, com uma estatura média de 62 cm.

Aptidão – Carne e pele.

SAANEM

De origem Suiça, vale do rio Saanen nos cantões de Berna e Appenzel, é considerada uma das melhores raças para produção de leite. É uma raça cosmopolita.

É um animal de grande corpulência, profundo, espesso, possuindo uma grande estrutura óssea. Pêlos curtos, orelha erecta e curta. Cabeça cônica e alongada, fina e bem elegante, fronte larga, perfil retílineo, orelhas pequenas e horizontais, olhos grandes e claros, com ou sem cornos, com ou sem barba.Pelagem uniformemente branca. Média de produção de leite: 3kg ,com 3 a 3,5% de gordura. 

Padrão Brasileiro possui grande porte, orelhas pequenas a medianas e eretas, chanfro reto, presença ou não de chifres, pelagem totalmente branca, pêlos curtos.

 

Apresenta a variedade Branca-Alemã.

Aptidão: Leite

PARDA ALPINA

Origem suiça, encontrada desde as regiões baixas até as regiões montanhosas.Na Suiça apresenta 2 tipos: Oberhasli-Brienz: Suiça - naturalmente mocha, produção  leite(2 a 2,5 kg) 634 ±186 kg e período EMBED Equation de lactação: 9 meses (277 ± 23 dias); Grison: Mais rústica, suporta condições climáticas extremas.Apresenta chifres, Produção de leite 2 kg (515 kg ± 124 kg ) e período médio de lactação: 8 meses ( 256 EMBED Equation  26 dias ).

Apresenta cabeça com perfil retílineo, fronte larga, orelhas levantadas de tamanho médio, pelagem parda (claro-acinzentado ao vermelho escuro), apresenta uma faixa negra no dorso sendo os membros escuros na parte inferior, e a cabeça assim como a cauda mais escura que o restante do corpo.

No Brasil apresenta grande porte; orelhas pequenas a medianas e eretas; chanfro reto; presença ou não de chifres; pelagem de cor variada, sendo no Brasil o padrão alpino de cor acamurçada, com listra preta na linha nuca-dorso lombar até a garupa; ponta das orelhas escuras; linha preta dos olhos ao focinho; parte distal dos membros preta; ventre escuro.

 

Aptidão: Leite.

TOGGENBURG

Origem suiça, no Vale do Toggenburg : proviniente do cruzamento inicial da cabra Fulva de Saint-Gall x Saanen. Muito produtiva e rústica.

Apresenta porte médio, com cabeça bem feita e alongada, fronte larga, perfil retilíneo, pouco concava, orelhas pequenas na horizontal, sem cornos (podendo eventualmente apresentar chifres).Pêlos podem ser curtos ou apresentar fios mais compridos no dorso e na parte externa das coxas, bodes com pêlos mais longos e mais grossos. Cor castanha-cinza claro. Apresenta 2 faixas brancas que partem do lado da boca e terminam junto as orelhas. Pernas abaixo do joelho e na inserção da cauda são claras.

Média  de produção de leite: 600 a 900 kg em 275 - 305 dias de lactação.

Padrão Brasileiro é de porte  grande , mostrando orelhas de tamanho mediano elevadas e dirigidas para a frente; chanfro reto; presença ou não de chifres; pelagem de cor acinzentada, variando do claro ao escuro, com listras de cor clara que partindo das orelhas, passam pelos olhos e vão terminar nas comissuras labiais; focinho, parte distal dos membros e inserção da cauda de cor branca; pelos de comprimento mediano a longo.

 

 

 

MURCIANA

Origem - A raça é originária da Espanha e insere-se no tronco das Pirinaicas (europeu). Os espanhóis têm dedicado, ao longo das últimas décadas, bastante atenção à exploração e seleção, para o aprimoramento da produção de leite. No Brasil, recentemente foi introduzido um lote desta raça por criadores do estado da Paraíba.

Características - São animais de pêlos curtos e finos, de cor geralmente preta, podendo haver exemplares de cor castanho-escura. A cabeça é triangular, de perfil reto com frontal amplo e ligeiramente deprimido ao centro. As orelhas são de tamanho médio, eretas e muito móveis. É um animal geralmente mocho, de porte pequeno, com peso variando nas fêmeas adultas de 45 kg a 60 kg, e nos machos adultos de 60 kg a 70 kg. A altura média da cernelha é de 0,80m nos machos adultos e de 0,70m nas fêmeas. A média de produção é de 600 kg de leite por lactação.

Aptidão – Leiteira.

BOER

Originária da África do Sul, a raça boer é o resultado do cruzamento de várias raça de cabra, especialmente de cabras Indianas com a Angorá. Essa seleção vem sendo feita desde o final do século passado, quando os criadores procuraram, através de seleções, criar animais rústicos, bons produtores de leite, que produzissem carne de boa qualidade com melhor aproveitamento de carcaça e que apresentassem melhor conversão alimentar, com o melhor peso.

São animais robustos, pesados e harmônios, cabeça proeminente, com chifres forte, de comprimento moderado, posicionados bem distantes e tem uma curva inversa gradual, tendendo a sair para as laterais. Os animais são brancos com o pescoço avermelhado, pêlo curto e macio.

 

SAVANA

Origem – a raça surgiu em meados de 1957 na África do Sul, a partir de acasalamentos realizados pelo criador D.S.U.Cilliers e seus filhos, de fêmeas com pelagem colorida com um reprodutor branco. O núcleo inicial expandiu-se para cerca de cem outros na própria África do Sul. Desde o início, a seleção foi dirigida para se obter animais de pelagem branca e muito resistentes aos parasitas, com eficiente produtividade em carne. O hábitat destas cabras brancas seria no campo tipo Savana, perto do rio Vaal, vivendo em condições edafoclimáticas extremamente precárias. Como resultado da seleção natural somente teriam sobrevivido os mais aptos. Por isso, se admite que o manejo sanitário da raça Savana é simples e de baixo custo.

Características - A cabeça é triangular; as orelhas são de comprimento médio a longo. A pele é flexível, grossa, totalmente pigmentada de preto e os pêlos são curtos. O Savana é um caprino de grande porte, os machos podem passar de 130 kg. As fêmeas pesam normalmente entre 60 kg e 70 kg. Os animais são compridos, de boa conformação de carcaça, lombo comprido e largo, com pernil bastante desenvolvido. Os aprumos são bem definidos com membros fortes, ligamentos robustos, bom desenvolvimento muscular e ossos, quartelas e cascos muito fortes.

Aptidão – Corte.

AZUL

Origem - Tipo naturalizado do Nordeste Brasileiro. A cabra Azul é originalmente africana e pertence ao grupo "Wad", que significa "West African Dwarf", ou "cabras pequenas do oeste africano". Nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará encontra-se a maioria dos animais da raça ou tipo racial, entretanto, são próprios da caatinga do Estado do Piauí. É conhecido também pelas denominações de Azulego, Azulona, Azula e Azulanha.

Características - A pele é escura, as mucosas nasal e perineal são negras ou em tom cinza-escuro. A pelagem é azulada ou cinza-azulada, podendo apresentar as extremidades bastante escuras. Algumas apresentam o debrum isto é, o contorno da orelha também escuro. Animais com peso médio em torno de 34 kg a 36 kg. Rústica e adaptada ao ambiente semi-árido.

Aptidão – Carne e pele.

GURGUÉIA

Origem - É um tipo nativo do Nordeste brasileiro. Alguns autores sugerem ser descendente da cabra Charnequeira de Portugal. Seu nome se deve a um afluente do rio Parnaíba, no Piauí.

Características - Apresenta pelagem vermelha escura com ventre de cor baia a castanha, linha dorso-lombar, ventre e parte inferior dos membros de cor preta. Perfil retilíneo; chifres voltados para cima e para trás, com as extremidades também voltadas para trás; orelhas pequenas; pescoço proporcional à cabeça e ao corpo; linha de dorso reta; garupa curta e inclinada; corpo ligeiramente alongado; cascos escuros. Pesam em média 36 kg.

Aptidão – Carne e pele.

 

REPARTIDA

Origem - Tipo naturalizado do Nordeste brasileiro, também conhecida como "Surrão", que significa, pessoa suja ou roupa rasgada e suja. Observa-se animais do tipo Repartida oriundos do cruzamento de animais da raça Alpina Francesa com animais de pelagem parda, possivelmente, esta é a origem desse tipo de animal.

Características - Apresenta a pelagem dividida ao meio, com duas cores distintas, sendo em geral, a parte anterior de cor baia e posterior preta. Admite-se, porém, o inverso, isto é, que a parte anterior seja escura e a posterior baia. A delimitação da cor da pelagem entre o anterior e o posterior é irregular. Apresenta peso corporal médio de cerca de 36 kg.

Aptidão – Carne e pele.

 

 

 

RAÇAS NATIVAS, AMEAÇADAS DA EXTINÇÃO

 O Brasil, país sinônimo de biodiversidade, é possuidor de um dos maiores bancos biológicos, que se bem explorado e administrado é potencialmente capaz de resgatar o valor do trabalho rural.

É bom salientar que dentre vários fatores é a diversidade dos recursos genéticos, animais e vegetais, o que mais contribuiu para tornar possível a sobrevivência humana nos ecossistemas mais adversos. Em adição, é a diversidade genética que permitiu aos animais a adaptação ou resistência às doenças, aos parasitas, às amplas variações na disponibilidade e qualidade de alimento e de água. E dessa forma, sofrendo a seleção natural, os mais resistentes ou melhor adaptados sobreviveram e procriaram até os dias atuais.

 

 

 

 

 

 

Durante décadas, a cabra e a ovelha, introduzidas no Brasil colônia, lutaram contra às adversidades climáticas e de vegetação aqui encontradas. A seleção natural comandou a formação das raças naturalizadas brasileiras, as quais são consideradas fruto da competência adquirida ao longo dos anos. Dessa forma, destruir todo esse trabalho da natureza através do cruzamento indiscriminado com animais de raças exóticas é, antes de mais nada, retroceder no tempo, sem falar na perda irreparável do nosso mais notável patrimônio genético.

 

De acordo com o IBGE, o crescimento populacional do Brasil de 1990 a 1999 foi da ordem de 13,78%, fato que deveria ter repercutido diretamente no crescimento do efetivo caprino e ovino, em vista a atender a demanda por proteína de origem animal na dieta dessa população. Mas, no entanto, o que se observou foi uma queda de 25,57% no efetivo caprino e de 16,85% no ovino, fator que pode ter influenciado o efetivo de raças naturalizadas brasileiras, o qual estima-se representar 3,0% dos animais explorados no país.

 

Diante dessa realidade, o desenvolvimento de tecnologias adequadas para a recuperação e uso dos recursos genéticos naturais e de programas que suportem o correto manejo do germoplasma a ser conservado, torna-se medida prioritária, principalmente por existir a possibilidade de erosão genética ou mesmo extinção de raças.

 

Preocupada com essa realidade mundial, a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) criou os Bancos Regionais de Genes Animais nos países em desenvolvimento. Na América do Sul existe um na Argentina sobre a coordenação do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) e um no Brasil sobre a coordenação da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, Distrito Federal, a qual conta com vários parceiros e dentre eles a Embrapa Caprinos, em Sobral, Ceará.

 

Objetivando a identificação, a caracterização e a conservação de nossos animais a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia criou o Banco Brasileiro de Germoplasma Animal (BBGA). Para melhor coordenação desse, foram estipuladas curadorias, ficando sobre a responsabilidade da Embrapa Caprinos a curadoria do banco de germoplasma de caprinos e ovinos de raças naturalizadas do Nordeste do Brasil. Com o intuito de alimentar o banco, a Embrapa Caprinos lidera um projeto de preservação de raças naturalizadas do Nordeste do Brasil o qual contempla subprojetos com ações para caracterização fenotípica e genética, para avaliação produtiva e para conservação de sêmen e embriões. Inicialmente, estão sendo estudadas as raças Moxotó e a Repartida na forma in situ e ex situ (sêmen e embriões). Porém, o banco já conta com germoplasma criopreservado das raças Marota e Canindé.

 

Os métodos de conservação in situ e ex situ são complementares. E sendo a criopreservação de germoplasma, uma estratégia complementar para a conservação de animais vivos, estimular a exploração racional (conservação) dessas raças pelo produtor é o caminho mais curto e eficaz para se garantir, ao longo do tempo, a continuidade desses rebanhos naturalizados.

 

Para a preservação in situ é aceitável um nível de 0,5% de endogamia por geração, e estima-se que o tamanho de um núcleo de preservação para ovinos deve ser de, no mínimo, sessenta (60) fêmeas e vinte e dois machos (22) com alta variabilidade genética entre os indivíduos, permitindo a formação de várias famílias, sem levar à perda de características gênicas. No entanto, para manter a variabilidade genética como a de uma população original é necessário o mínimo de 500 indivíduos, com uma média de vinte e cinco (25) machos e vinte e cinco (25) fêmeas como genitores, por geração.

 

Para preservação ex situ admiti-se ter uma raça preservada quando pelo menos o sêmen de 40 indivíduos for criopreservado, sendo 80 doses por macho, ou seja, 3200 doses por raça. Se os reprodutores forem testados quanto à congelabilidade, 25 indivíduos seriam suficientes, ou seja, 2000 doses por raça. Quanto a preservação de embriões deverão ser criopreservados um número médio de 5 embriões por doadoras, sendo necessário 180 fêmeas para que 900 embriões sejam criopreservados por raça.

 

No entanto, por não sabermos precisamente o número do efetivo de caprinos e ovinos naturalizados brasileiros, por raça e por localização geográfica, fica difícil desenvolver ações de conservação. Dessa forma, o mapeamento dos rebanhos, torna-se medida prioritária para a identificação das populações a serem conservadas. E foi com esse objetivo que a Embrapa Caprinos vem mapeando os criatórios de caprinos e ovinos de raças naturalizadas e levantando o real efetivo dessas raças. O resultado desse trabalho possibilitará redirecionar as medidas emergenciais para salvaguarda das raças mais ameaçadas e o intercâmbio de material genético e informações entre os núcleos.

 

Em síntese, a Embrapa Caprinos, através desse projeto, objetiva resgatar para os produtores o valor das raças naturalizadas, visando a sustentabilidade da atividade de produção de caprinos e ovinos no Nordeste e, em conseqüência, promover a fixação do homem no meio rural ao permitir a geração de emprego e renda.

 

Percebe-se então, que a preservação das raças naturalizadas brasileiras além de ser uma iniciativa ecologicamente correta tem seu cunho científico, econômico e social. Destaca-se dessa forma, como uma ferramenta necessária para o desenvolvimento rural, principalmente junto aos agricultores familiares, possibilitando a otimização da eficiência produtiva ao contribuir para a sustentabilidade dos diferentes ambientes e sistemas de produção.

 

Raças de Ovinos

 

Raças deslanadas

SANTA INÊS

A raça Santa Inês teve sua origem no Brasil. Tem em seu sangue, dentre outras, as raças Morada Nova e Bergamácia. O Santa Inês é um ovino deslanado de grande porte; as fêmeas são ótimas criadoras, com alta fertilidade e prolificidade.

A presença de sangue de uma raça leiteira tornou as ovelhas Santa Inês ótimas produtoras de leite, e, em decorrência,  excelentes mães, capazes de desmamar cordeiros muito saudáveis, com bom peso.

Apesar da influência do sangue de uma raça européia,  a Santa Inês manteve a característica de rusticidade herdada da raça Morada Nova. São animais que suportam bem o manejo extensivo, com boa produtividade.

 

 

 

MORADA NOVA

Raça nativa do Nordeste, resultante possivelmente de seleção natural e recombinação de fatores em ovinos Bordaleiros e Churros trazidos pelos colonizadores portugueses. A ação continuada do ambiente quente e seco do Nordeste promoveu a perda da lã e a adaptação do animal. Apresentam pelagem vermelha ou branca; são muito dóceis e manejados com grande facilidade. 

São animais bastante rústicos, que se adaptam às regiões mais áridas, desempenhando importantes funções sociais. 

Na região Nordeste, os animais desta raça apresentam grande eficiência de produção, mesmo tendo de buscar seu alimento na rústica vegetação de caatinga. 

Produzem carne e, principalmente, peles de ótima qualidade. As ovelhas são muito prolíferas.

 

DORPER

Em busca de uma raça produtora de carne que atendesse as exigências de mercado, o governo e produtores da África do Sul importaram raças especializadas na produção de carne, entre elas a South Down Hampshire Down, Border Leicester, Suffolk e Dorset Horn para produzirem carcaças mais aceitáveis não somente pelo mercado interno , mas também para o externo. Assim, ovelhas de várias raças africanas, foram cruzadas com reprodutores dessas raças, em estações experimentais e em rebanhos privados. Dentre esses cruzamentos, o que obteve mais sucesso foi aquele entre a raça Dorset Horn x Bleakhead Persian. 

A partir de 1946 teve início, realmente, o projeto de desenvolvimento da raça Dorper. No Brasil a raça foi aceita em 1998 após o incentivo do Dr. Mário Silveira, Secretário do Planejamento do Estado da Paraíba que via na caprino-ovinocultura uma das soluções para o semi-árido paraibano, onde foi instituído um projeto de “Introdução  de Genótipos de Ovinos da Raça Dorper no Estado da Paraíba”.

A raça Dorper tem atendido uma variedade de condições de ambiente das regiões tropicais e semitropicais, pela excelente condição de adaptabilidade e vigor, aceitáveis índices de reprodução, boa habilidade materna, altas taxas de crescimento e excelentes qualidades de carcaça.

 

Raças Tipo Carne

ILE DE FRANCE

A procura de uma raça tipo carne com bom desenvolvimento, habilidade materna e características de boa conformação,  levou Auguste Yvart, professor da Escola Nacional de Veterinária de Maisous-Alfort, em 1824, a empreender a criação de uma nova raça, onde foi realizado o cruzamento de reprodutores Dishley com as raças merinos exploradas na França. A raça recebeu este nome, pois foi na região de Ile-de-France, na França, que melhor se adaptou.

O Ile-de-France chegou ao Brasil em 1973, no Rio Grande do Sul.

A raça é especializada na produção de carne de ótima qualidade, conformação e alto rendimento de carcaça, podendo chegar a 55% em cordeiros machos. As fêmeas apresentam, alta fertilidade,  habilidade materna, com boa produção de leite, suficiente para aleitar mais de um cordeiro, pois a raça tem a alta prolificidade como uma característica marcante da raça.

Sua lã é uma das melhores entre as raças de carne, por apresentar boa qualidade, devido à sua origem ser de animais das raças merinos.

 

 

SUFFOLK

Originária da Inglaterra, através do cruzamentos de ovelhas cara negra e aspadas da antiga raça Norfolk, com carneiros Southdown. Foi aceita como raça a partir de 1859.

É de fácil identificação, porque é a única que possui cabeça, orelhas e membros totalmente desprovidos de lã e cobertos por pêlos negros. Adaptou-se bem ao Brasil, sendo criada nas mais diferentes regiões, em sistemas intensivos. É uma raça produtora de carne, onde os animais são bastante precoces, produzindo carcaças magras e de boa qualidade. 

As fêmeas têm boa habilidade materna, com boa produção leiteira, permitindo alimentar bem , mais de um cordeiro.

 

 

TEXEL

De origem holandesa, foi introduzida no Brasil por volta de 1972. São animais que, também, apresentam lã branca e por isso, são muito utilizadas no cruzamento industrial com matrizes laneiras ou mistas. São animais bastante precoces, caracterizando-se pela produção de carcaças de boa qualidade, com baixo teor de gordura. Adapta-se bem em sistema de criação a pasto.

 

 

 

 

 

HAMPSHIRE DOWN

Raça originária do Sul da Inglaterra através de cruzamentos entre carneiros Wiltshire e Berkshire. Também pertence ao grupo dos “Cara Negra” e expandiu-se bastante em determinadas regiões do Brasil, tendo se adaptado bem dentro de sistemas de criações mais intensivas. Possui grande capacidade para produção de carne de excelente qualidade.

 

 

 

Raças Mistas

BORDER LEISCESTER

Originada no condado de Leiscester (centro da Inglaterra) supostamente a partir do Leiscester inglês e ovelhas Cheviot ou Teesnater.

Foi a primeira raça criada por métodos modernos, tornando famoso o seu melhorador, Robert Bakewell, cujo trabalho se iniciou em 1755. Dentro de um tempo relativamente curto, ele conseguiu transformar o carneiro ossudo, pesado e tardio da região, em um tipo açougue, um pouco menor, precoce, com alto rendimento de carne e predisposição à engorda. A lã foi negligenciada, mas outros criadores que lhes seguiram trabalham no seu melhoramento.

Além da Inglaterra, encontra-se na Nova Zelândia, Austrália, Argentina, Estados Unidos, etc. No Brasil a raça foi introduzida em 1986, no Rio Grande do Sul. O  Border Leiscester é uma raça mista para a produção de carne e lã.

 

ROMNEY MARSH

Esta raça é originária da Inglaterra, onde a palavra, que significa pântano, dá a idéia do ambiente onde se forjou a raça. É uma raça de ovinos rústica, com ótima adaptabilidade a campos baixos e úmidos; são animais vivazes, fortes, caminhadores, que geralmente andam pelo campo separadamente.

A Romney Marsh apresenta dupla aptidão (lã e carne), sendo 40% de potencial para produção de lã e 60% para produção de carne. Caracteriza-se pela produção de uma lã bastante grossa, predominantemente cruzas 3 e 4.

Dada sua origem de campos úmidos, propícios às verminoses, tem-se, por vezes, atribuído a esta raça certo privilégio quanto à sua capacidade de resistência às helmintoses, em relação a raças de clima seco.

CORRIEDALE

Raça mista por excelência (50% de potencial para lã e 50% de potencial para carne), foi formada na Nova Zelândia, também a partir das Raças Merino Australiano e Lincoln, possuindo, porém, ½ sangue de cada. Em vista disto, sua lã se apresenta mais grossa que a da raça Ideal (classificada como cruzas 1 ou 2). Um pouco mais exigente que as outras raças, adapta-se bem, todavia, ao regime extensivo de exploração. É um fato natural que à medida que aumenta o tamanho do animal estarão se elevando, paralelamente, seus requerimentos nutritivos.

 

 

 

Raças Produtoras de Lã Fina

MERINO AUSTRALIANO

A Austrália importou merinos de todas as variedades existentes: Electoral, Negrettis, Rambouillets, Veronts, etc. O Merino Australiano foi constituído pela amalgama dessas variedades, com as seguintes proporções aproximadas de sangue: 25% de Merino espanhol; 40% de Vermont; 30% de Electoral e Negretti; 5% de Rambouillet francês.

Raça que apresenta lã de excelente qualidade e elevado valor econômico, destinada à fabricação de tecidos finos. Adapta-se perfeitamente às condições de alta temperatura e vegetação pobre, em vista de seu pequeno porte e velo muito fino e denso, que funciona como verdadeiro isolante térmico. Não tolera, todavia, umidade excessiva. Em termos teóricos, teria 70% de potencial para produzir lã e 30% para carne. A lã atinge, via de regra, as classes merina e amerinada.

 

IDEAL

Originária da Austrália, possui em sua formação ¾ de sangue Merino Australiano e ¼ de sangue Lincoln, raça inglesa de grande porte e lã grossa. O trabalho de seleção efetuado pelos australianos deu como resultado uma raça com excelente capacidade para produzir lã, aliada à produção  de carcaças com desenvolvimento satisfatório. O alto grau de sangue Merino conservou na raça Ideal a grande adaptabilidade às condições menos favoráveis de meio ambiente, como solos pobres, desde que a  umidade relativa do ar seja baixa. A lã é um pouco mais grossa que a raça Merino Australiano, em decorrência da infusão de sangue Lincoln, conservando no entanto, excelente qualidade em termos de classificação: enquadra-se, basicamente, nas classes prima A e prima B. A raça Ideal apresenta 60% de potencial para lã e 40% para carne.

 

 

 

 
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Ter, 09 de Novembro de 2010 00:01
 


 
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