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Escrito por Lívio Chaves   
Sex, 10 de Fevereiro de 2012 21:47
CARNAVAL DE SERTÂNIA REALMENTE É O MELHOR DO INTERIOR DE NOSSO ESTADO PERNAMBUCANO
 

 

 

Carnaval promovido pela Prefeitura Municipal de Sertâniia, começa neste sábado, com grandes atrações, se credenciando mais uma vez a ser um dos melhores carnavais do interior de Pernambuco.

As atrações agradam a todos, desde  Maestro Forró, passando por Geraldinho Lins, Orquestra Encanto de Mulher, Orquestra Super Oara até os grupos que são no momento o sucesso nacional, Marreta you Planeta e Trio da Huanna.

Com certeza teremos nos dias da festa de Momo verdadeiros shows proporcionados por estes artistas citados acima e muito mais. Que todos sainam brincar em paz e que tudo corra dentro da normalidade.

 

SÁBADO DE ZÉ PEREIRA: CARNAVAL É ABERTO  OFICIALMENTE EM SERTÂNIA.


O primeiro dia de folião, o sábado de Zé Pereira, foi uma verdadeira festa popular, durante o dia pelas ruas desfilaram vários blocos, como o “Nada Consta”, “Os Esmoleus” e o bloco voltado para a criançada denominado de “Bloco do Mingau”. A noite no foco da folia, na Praça de Eventos Olavo Siqueira, pontualmente às 22 horas começava o show do Trio da Huanna, que levantou o povão com muita suingueira, cantando os hits desse carnaval “Enfinca”, “Mais raparigueiro do que eu, só papai”, “Puta que pariu” e outras músicas que a juventude adora e canta. Depois do show do Trio da Huanna, foi a vez da abertura oficial da festa de Momo com a presença da prefeita Cleide Ferreira e de  sua equipe, momento em que a chefe do executivo entregaria as chaves da cidade ao Rei   Momo e nova a rainha do carnaval 2012, a jovem Ravena Feitosa.

A Prefeita em seu discurso ali no palco da Praça de Evento, fez questão de dizer que estava de fato muito emocionada por observar a alegria estampada no rosto dos sertanienses, ressaltando que o carnaval de Sertânia começou mesmo na quarta-feira, dia 15, com o carnaval da pessoa idosa, numa festa bonita ali mesmo na Praça de Eventos. “Na quinta, dia 16, tivemos o desfile das mulheres (O bloco das mulheres organizado pela secretaria municipal da mulher e coordenado pela secretária Alessandra), na sexta-feira (17), tivermos o bloco dos estudantis, que tomar a avenida Agamenon Magalhães, numa festa bonita e contagiante, a noite tivemos o Bode da Madrugada e o Bloco do uísque, dois grandes blocos, isso engrandeceu carnaval de Sertânia.” Disse a prefeita em seu discurso.

"Sem vocês a festa não existiria, por isso que eu estou feliz, vocês são especiais. Agradeço a todos pela presença e dizer que esta festa é especial para vocês”

Prefeita Cleide em seu discurso na Praça de Eventos na abertura do Carnaval 2012

“Estamos apoiando 36 blocos, estes que já faleu aqui e outros que ainda irão sair ao longo desse carnaval. Então minha gente, quando a gente investe no carnaval, investe nos blocos, a gente investe também no desenvolvimento econômico  de nossa cidade, porque o comércio informal, o empreendedor individual, as minis e pequenas empresas, elas também estão ganhando, por isso que a gente faz as festas”, disse bastante entusiasmada a prefeita Cleide e continuou: “Não é só o lazer, não é só o turismo, é também o desenvolvimento econômico de nossa cidade”, disse alfinetando aqueles que a criticaram por fazer essas festas populares, a exemplo do aniversário de Sertânia, da Expocose e da Festa do Bode.

Quando a gente investe no carnaval, investe nos blocos, a gente investe também no desenvolvimento econômico  de nossa cidade, porque o comércio informal, o empreendedor individual, as minis e pequenas empresas, elas também estão ganhando, por isso que a gente faz as festas” (Prefeita Cleide em seu Discurso)

A Prefeita Cleide em seu discurso fez questão de agradecer a presença de todos ali e a sua equipe, bem como a todos os vereadores Antônio Henrique(Fiapo), Damião Silva, Márcia Fereira, Zuza do Padre e Zezinho das Placas  e as pessoas de sua equipe que organizaram a festa, assim como a equipe responsável pela ornamentação da praça e da cidade, mas fez questão de frisar a importância das secretarias de Infraestrutura, dos Serviços Públicos, da Mulher e o secretário de Cultura. “Todos foram muito importantes, junto com todos os secretários da prefeitura. Quero agradecer aqui ao Deputado Ângelo Ferreira, ao deputado Federal Gonzaga Patriota. Quero agradecer a polícia Militar de Pernambuco, que garante a segurança de todos aqui”, disse a prefeita.

“Quero pedi a vocês muita paz, que respeitem a individualidade de todo mundo, vamos beber, vamos farrar, vamos foliar, mas vamos, todo mundo, fazer a  paz acontecer nesses quatro dias de carnaval.”

A Prefeita Cleide em seu discurso pedindo aos foliões que procurem brincar em paz

E encerrando fez um pedido: “Quero pedi a vocês muita paz, que respeitem a individualidade de todo mundo, vamos beber, vamos farrar, vamos foliar, mas vamos, todo mundo, fazer a  paz acontecer nesses quatro dias de carnaval.” A Prefeita novamente também disse que sem o povo não há festa. “Eu dizia ontem, sem vocês a festa não existiria, por isso que eu estou feliz, vocês são especiais. Agradeço a todos pela presença e dizer que esta festa é especial para vocês”, Após seu pronunciamento a prefeita passou o comando da cidade para o Rei Mono.

Depois de aberto oficialmente o carnaval de Sertânia foi a vez do maestro Forró proporcionar a quem gosta do verdadeiro frevo dá seu show.

Agora fiquem com as imagens do evento:

FONTE: TRIBUNA DO MOXOTÓ

EM SERTÂNIA O CARNAVAL PAMBEM É DAS CRIANÇAS : BARCA MALUCA ENCANTA AS CRIANÇAS  NA PRAÇA DE EVENTOS.

Ontem, domingo, 19, o carnaval de Sertânia teve nas ruas grande animação com os vários blocos desfilando e animando os foliões. O bloco do "leite", carregava toda beleza e graciosidade da mulher sertaniense pelas ruas, mostrando toda alegria e descontração que tem todas elas, também desfilou ontem o Bloco Xerém, um dos primeiros blocos do nosso carnaval.

No final da tarde com muita chuva, subia ao palco da praça de eventos, o grupo musical infantil “A Barca Maluca”, tocando musicas infantis e encantando as crianças, um show a parte, digno de elogio aos organizadores que este ano novamente pensaram nas crianças e dedicaram uma grande parte do nosso carnaval a elas, o grupo todo caracterizado (foto ao lado) com personagens do imaginário infantil levou a criançada a uma bonita viagem pelo mundo da fantasia. Um show.

Após a apresentação da Barca Maluca, já sem chuva, subiu ao palco o grupo de pagode Tok Moleke, depois veio o show de Geraldinho Lins, que mostrou que sabe cantar muito bem o nosso frevo e para fechar a noite tivemos a renomada orquestra arcoverdense, a Super Oara, que demonstrou toda arte e maestria do frevo pernambucano.

 


Hoje, segunda-feira, nas ruas teremos a presença alegre do Bloco Ferreira na Folia, agremiação formada pela tradicional família Ferreira, já na praça de evento começa novamente mais cedo, a partir das 17 horas com a simpatia e arte da ORQUESTRA ENCANTO DE MULHER, logo após tem a BANDA LEVA e fechando a noite temos MARRETA YOU PLANETA

A organização mais uma vez está de parabéns, pensou em tudo, inclusive novamente que o carnaval também é das crianças e que estas merecem um horário somente para elas, de verdade, não com uma bandas comuns, isso já éramos acostumados a ver, mas com um grupo caracterizado com personagens dos desenhos animados, com isso, a prefeita, demonstra toda sensibilidade na organização desse evento. Já mencionamos aqui por diversas vezes, mas não custa nada lembrar: um bom administrador é aquele que executa cada ação pensando em todos e em tudo, inclusive nas crianças, e a prefeita Cleide, este ano novamente, proporcionou as crianças uma carnaval diferente e alegre, e isso amigo, não tem preço. Mais uma vez, Parabéns Prefeita!!!

FONTE: TRIBUNA DO MOXOTÓ.

 

Marreta You Planeta agitará o terceiro dia do Carnaval 2012 em Sertânia


Nem mesmo a chuva deste final de semana espantou os foliões na festa carnavalesca sertaniense “O Carnaval do Povo”. A população está curtindo bastante as atrações organizadas para o carnaval 2012 da cidade. Os blocos populares também estão agitando a cidade durante todo o dia, em vários bairros a população encontra opções de diversão.

A prefeitura de Sertânia garantindo o carnaval para todos, trouxe novamente este ano a Barca Maluka que animou a criançada no fim da tarde deste domingo. Além disso os foliões já curtiram entre as atrações principais Trio da Huana, Maestro do Forró, Geraldinho Lins e Orquestra Super Oara.

Hoje(20) no terceiro dia de carnaval Sertânia será agitada pela Orquestra Encanto de Mulher, Banda Leva e Marreta You Planeta começando também a partir das 17hrs.

FONTE: SERTÂNIA NA NET.

 

Carnaval de Sertânia

 


Minha foto

Por Josessandro Andrade

Este ano Pierrots e Columbinas

Ficaram tristes com o nosso carnaval

Se o frevo e até as serpentinas

Perderam a graça só por causa de você

Você que agora está pensando em mim

Você, que agora já tem outro amor.

Você, que antes me fez feliz.

Acabou meu carnaval

Aumentado a minha dor.


Nunca me esqueci de "Você", gravado por um dos melhores cantores pernambucanos Expedito Baracho, um frevo-canção de Jairo Araújo, já na década de 1980 um compositor primoroso, que após acabar um namoro com uma musa, Tomou um porre antológico, e apaixonado, compôs e cantava inspirado, e que fornece as palavras para referir-nos ao carnaval, ontem e hoje, nos seus aspectos nostálgicos e atuais.


O Carnaval é uma das festas populares mais esfuziantes do planeta Brasílis. As  pessoas mergulham no colorido das fantasias, em meio às cores e brilhos, se entregam aos delírios da alegria, na gandaia que mistura ritmos e paixões, embalando sonhos no caldeirão fervente, que é o reinado de Momo, eletrizado pelos açoitados frevos de rua, onde muito do proibido passa a ser permitido, pelo menos de forma complacente durante os quatro dias. Embevecido pelo néctar etílico, o folião conduz seu estandarte de utopias na avenida de ilusões, na festa pura da carne, que alguém já chamou de "comunismo erótico". Ela que teve origem religiosa, caiu de boca na profanidade e depois se tornou uma festa de família. Virou lirismo  nas marchas rancho, nos corais de vozes femininas dos frevos-de-bloco e nos amores românticos dos frevos-canções.


Os festejos momescos de antigamente eram marcados pela criatividade popular, espontânea, por iniciativa das pessoas que ornamentavam sua rua, durante o dia atiravam-se  no mar de  talco e serpentinas brincavando em blocos e troças nas ruas ornamentadas pelos moradores, e de noite refugiavam-se nos clubes feericamente iluminados, para, banharem-se de  confetes  e  purpurina nos salões decorados com glamour e requinte. Com o passar do tempo, as prefeituras assumiram o comando da festa carnavalesca, que perdeu um pouco de sua autenticidade, pois o caráter espontâneo e de diversidade de tons, cores e passos foi cedendo lugar a um roteiro traçado, padronizado, como se fosse um espetáculo num teatro ao ar livre previamente ensaiado, onde o povo é mais espectador do que protagonista. Os Clubes perderam público para as festas gratuitas de rua. Mas o carnaval em si, ainda preserva a irreverência, a excentricidade e um congraçamento que irmana as pessoas, superando diferenças de classe social e nível econômico.


As origens do Carnaval de Sertânia remontam aos tempos ainda de Alagoa de Baixo. Ulysses Lins, um dos Mestres da Poesia de Sertânia, escritor e memorialista, escreveu em seu livro "Um Sertanejo e o Sertão-Memórias de uma região sertaneja", que:" Em 1904, Alagoa de Baixo vibrava com o primeiro clube de carnaval que ali se exibia, enchendo de alegria a vila durante os três dias de Momo. O padeiro Severino Biu, chegado alí há pouco tempo tomara aquela iniciativa. Articulando-se com Francisco Freire, Binga ( Seresteiro e boêmio inveterado) e outros rapazes organizou o Clube Vassourinhas, á frente do qual, com uma Baliza, saía a cantar:


Quem foi quem viu

Quem te deu siná

Arreda do caminho

Vassourinhas quer passar

Quem de Nós Seguirá

Para puxar nosso cordão

Olhem que o Vassourinhas

Traz prazer no Coração..."


Donde podemos concluir por indicação e tese do meu amigo e poeta Paulo Henrique Ferreira dos Santos em brilhante artigo, que o carnaval de Sertânia é mais velho que o surgimento do frevo pernambucano, uma vez há registros da nossa folia já em 1904 e do frevo oficialmente é assinalado como nascido em 1907.

"O bloco da saudade com saudade vai passar

Brincando de folia em Fevereiro

Prá tudo reviver no encanto desta praça

Aonde o Bola de ouro passa com Manuel Carroceiro."


Em o "Bloco da Saudade", Hino da extinta agremiação sertaniense, composto por Anacleto Carvalho e Zeto, eles resgatam a magia telúrica dos blocos do passado e grandes foliões como Mané Carroceiro (Avô do cantor e compositor Charuto), bloco da massa da cidade, mas que tinha em suas fileiras o professor, poeta, compositor e boêmio indomável Waldemar Cordeiro, que sempre estava em todas e tinha postura comportamental de vanguarda, bem a frente do seu tempo.


"A Ema de Elpídeo, o remexido do Xerém,

O Disparada encena o carnaval que agora vem

Luiz Pintô sai pintando os batuques do Pitu

Sertânia sou eu e tu "


O Xerém toda vida foi o bloco da elite, mas só permitia a participação de homens. Surgiu então o Bloco Disparada, organizado pelos jovens de um grupo de teatro e jornal da cidade, do mesmo nome, que estudavam no Recife e por suas intenções intelectuais, estava sintonizado com os ventos de emancipação feminista e da revolução social e de costumes de 1968 Abrira suas fileiras para a entrada de mulheres, bem como de jovens de classe média e de famílias pobres. Isto provocara uma rivalidade enorme, a ponto de em um desfile o Xerém sair em  sua linha de frente com uma faixa que provocava o rival "Não disparem em Nós", ao que no outro dia, o Disparada  respondia com um cartaz no mesmo tom: " Nem com Leite presta..."


Luiz Pintô, compositor, músico, interprete e folião, verdadeiro ícone do carnaval sertaniense, apaixonado por frevo, samba e por Dona Dôra, sua esposa, que não gostava de carnaval, e a quem dedicou a singela marchinha "Não faça isto”, criou a  Escola de Samba da Pitú, que se tornou uma tradição na rua velha, tendo na bateria os seus cinco filhos músicos: Luisinho, Lailton, Natério, Wanderley, Lailton.  Depois que os meninos foram, um a um, indo se juntar em São Paulo, para formar a Banda Moxotó, Luiz Pintô ficou tocando a vida e o cavaquinho, formando depois o Pau e Corda Moxotó, que em 1987 saiu da Ladeira de Francisquinho, quando ele foi morar naquela rua, ocasião que foi lançado o disco "Junção das águas, que trazia a música "Narra Frevo" de autoria de Luiz Pintô e seu filho Lailton Araújo, premiada num festival em São Paulo, que diz em um trecho: “... É Pernambuco cantando o poema da terra/dançando a ciranda da guerra/dos versos banhados de mar...." Luiz Pintô, morreu num dia de Semana Estudantil de Artes , em 1999 , conforme pedira, seu corpo foi velado nos salões do América E..C. , ao lado de estandartes de vários blocos da terrinha e o  enterro foi acompanhado por músicas de carnaval, fato completamente inusitado para os padrões locais.  

 

A Ema de Elpídeo Junta-se ao acervo de figuras simbólicas genuínas da folia sertaniense, como a Jabiraca, criativa fusão de girafa com Jararaca, criada pelo pessoal do matadouro, A burrinca de Arthur (eu, menino, tinha um mistura de encanto e medo daquela troça), o Lobisomem da Rua da Cruz e  A Burra, Que até hoje existe pelas mãos do meu amigo Madson Vaz, da Constrular.


“... Como Pássaros libertos, Jaime Pires de braços abertos

Sertânia toda em folia, cada passo um novo amor.

Guardanapos, Espanador passando com Harmonia.

E o Coração Vencedor sai procurando a folia...”


O  Guardanapos era o bloco da elite senhoril, comandado por Olavo Siqueira, gerente do Cine Emoir, assim como Pássaros Libertos foi o bloco do Ex-Vice-Prefeito e comerciante Jaime Pires. Coração vencedor ou Coração magoado levava à avenida as prostitutas do decano cabaré de Sertânia "as falenas", assim chamadas poeticamente por Waldemar Cordeiro, cuja designação  significa "borboletas noturnas".


No final dos anos 70 e início dos anos 80, eu que nasci e criei-me na Travessa  Siqueira Campos, mais conhecida como "Ladeira de Francisquinho", ficava do terraço para a calçada ouvindo os ensaios na sede da Orquestra Marajoara, 2ª fase, ou na varanda da casa do Maestro e compositor, que já era consagrado com frevos-de rua, a exemplo de "Batalha de confetes", gravadas por grandes orquestras do País e que dividia a parceria de diversos frevos-canções com Waldemar Cordeiro:


"Lá vem a onda delirante

caíamos todos na folia

é a linda festa de Momo

No reino da Fantasia

Amei alguém

faz hoje um ano

não se lembra mais de mim

não sei porque se esquece

um Pierrot assim..."


Quem imaginaria o sisudo médico Dr. Aristóteles de Siqueira Campos Araújo, filho de Francisquinho, euforicamente integrado junto aos familiares do Maestro no molha-molha daqueles dias, dando um banho em Zé Lopes, meu pai, e em Zezito Barbeiro? Ou o  hoje comerciante Marcos de Adir, juntamente com outros adolescentes, de bomba d’água molhando quem passasse nos carros do Corso. Lembro-me dos filhos de Francisquinho, Jairo Araújo e Hugo Araújo, ensaiando com um som no terraço de Dona Floriza, um frevo de autoria deles, "Recordações", que concorreu e foi classificado no "Frevança", festival de música carnavalesca da Rede Globo Nordeste, que era transmitido ao vivo pela TV.


"Trago dentro do peito uma saudade que não tem mais fim

Recordações dos velhos carnavais, das Columbinas e dos Arlequins.

Choro esta saudade em ver de novo Fenelon cantar

Encher de amor todos os corações ver Pirilampos outra vez passar

Adormecer e acordar de vez toda esta saudade

Vivendo os sonhos da eternidade

Quero prá sempre Sertânia te amar"


Em Meados e no final da década de Oitenta, havia uma profusão de blocos que desfilavam os três dias: Psiu, Todo de sacos cor azul, AMA-sigla que indicava A Mundiça do Alto, do Alto de Afogados, Avenida Presidente Vargas e adjacências, Cabaço e sua dissidência Cabaceiras, reunindo o pessoal da periferia em geral, tendo a frente um dos filhos de mestre Abílio, “Boca de caeira”, reunindo os músicos do Grupo Musical Nozes e Vozes, que teve Giba como porta-estandarte, além de Edmar (Mazinho de Arcoverde) e meus primos Jacildo (Andrade de Sertânia,) e Antônio Amaral, além de Walmar e outros; Agá, do saudoso "compadre" Marcos Estelita e Taí, do qual minhas Irmãs Lala, Doca e Norina saíram no primeiro ano, 1983 e me fizeram debutar em carnaval, junto com meu primo Walter Amaral, um fervoroso passista de frevo e músico de sua bateria. Estes dois últimos blocos sobreviveram até bem pouco tempo, talvez inspirados pela força dos versos de seus hinos, compostos pela dupla: Waldemar Cordeiro e Francisquinho. O do  Agá até hoje eternizado no imaginário do povo como neste trecho:


" ...É pena ver o Sertão

Sem chover anos a fio

Mas vamos á falta d’água

Fazer da cachaça um Rio..."


E  o não menos belo e inspirado, o do Taí, que enriquece de sobremaneira o nosso cancioneiro frevístico, como nesta estrofe cantada por todos:


"...Os foliões da cachaça

Em Sertânia mostram raça

Taí, Taí, venham ver.

Quanta gente esquecida,

Que vive apenas três dias

Mergulhados na bebida

A cachaça é um...

Delicioso e ameno

Tem um sabor de pecado,

De mulher e de veneno...”


Não poderia deixar de lembrar o irreverente "Nóis baxa o níve", já em 1991, idealizado por mim, bloco do pessoal dos grupos de teatro Mandacaru e Primeiro Traço, jornal de Poesia Cabeça de Rato e gente do Movimento Cultural da cidade. O hino foi escrito pela dupla: Anacleto e Zeto, tendo o estandarte e a camisa bem bolada pelo artista plástico e poeta Zito Jr. Nosos Porta-estandartes eram Nobinha e Fátima Capitão e na época deu até casamento. Foi neste bloco que o poeta e Crítico literário Luiz Carlos Monteiro, recentemente falecido, conheceu Késia, que mais tarde seria sua esposa e mãe de sua filha Aimê.


"É na folia que gente baixa o níve

baixa o níve da garrafa..."


Em 1997, como Diretor do Departamento de Cultura, conjuntamente com César Amaral, ajudamos a coordenar o esforço do governo municipal da época, que deu uma dimensão muito grande ao Carnaval, que passou a ser planejado e ser na rua, para o povo. A Orquestra Marajoara completa dando Show, o surgimento do primeiro homenageado vivo do carnaval, “Luiz Pintô a Folia", ideia do quengo criativo de César. O concurso de passista de frevo, o desfile de fantasias infantis, o banho-de-bica tudo isto foi implantado neste período, num carnaval inesquecível na Praça João Vale. Some-se a isto, a então primeira dama do município Lucicleide Xavier, atual prefeita Cleide, Idealizou e organizou com outras senhoras o Baile Municipal de Sertânia, uma ideia tão boa que foi sucesso a cada ano, com  o clube América voltando a suntuosidade dos grandes bailes de máscaras e fantasias carnavalescas e que deveria ter voltado na sua administração de Prefeita. O carnaval de rua foi reforçado pelo Afaser - Associação dos Filhos e Amigos de Sertânia, que traziam de Recife e outras cidades os filhos da terra para voltar a brincar carnaval em seu berço. A partir dai surgem muitos blocos alternativos seguindo o modelo do AFASER:


"Princesinha do Moxotó viemos nos aquecer

Sobre o calor do teu sol os nossos corações

Sentem novo renascer revendo os amigos

Unidos no sonho trazendo o passado..."


Depois que eliminou o Marajoara de sua programação de rua , Deixou morrer o baile Municipal e mudou-se para a Praça de Eventos( Que poderia se chamar Waldemar Cordeiro por tudo que fez pela cidade como professor, fundador do CEOB, autor do letra do hino oficial do Município de Alagoa de Baixo e de Sertânia, poeta , compositor, músico, diretor de educação e prefeito interino), o Nosso carnaval perdeu a identidade e o charme e nunca mais foi o mesmo. Vieram boas atrações como orquestra Super Oara e SPOK, mas o que tem prevalecido é os grupos de suingueira, uma mistura de barulho, performance, baixaria e músicas medíocres e pobres.  


Ao longo deste tempo vi ideias positivas como de João Lúcio, este guerrilheiro cultural e saxofonista de mão cheia tentar formar uma orquestra de chão, para tocar na avenida principal e nos barros durante o dia animando em arrastões curtos e focos não ter apoio por questões partidárias. Isto, um polo com orquestra de frevos e bandas mais compactas  evitaria aquele pandemônio de mau gosto que se forma na frente do América, com cinco, seis carros de som, na maior altura, num competição de caos e atentado ao bom senso, cada um tocando uma porcaria diferente. Ou a nossa sugestão prá o município fazer uma grande oficina de frevo para jovens, crianças e adultos aprenderem os diversos passos do frevo e ensinarem os outros foliões na praça, dando uma magia toda especial a festa. Também sugerimos exibição de DVD'S em telões nos bairros e a distribuição em massa de cópias promocionais destes dvd's para o povão, como fazem as grandes bandas e reforçar a divulgação nas rádios do mais legítimo ritmo pernambucano, aproximando de forma mais efusiva do folião dos bairros mais carentes. Nada foi levado em conta, pois a cegueira política impediu e quem perdeu foi Sertânia e nós que a amamos e ao carnaval. Para não ser injusto vi também surgirem boas propostas como O Bode, que não precisaria ter esta locução adjetiva "da Madrugada", pois dá a impressão de querer pegar carona no sucesso de algo que já tem fama e creio eu, que o Bode não necessita disto.


Uma constatação do que falamos anteriormente neste texto é que o Carnaval de Sertânia, realizado há 16 anos pelo poder público municipal parou no tempo é o fato de que outras cidades da região como Arcoverde (que já nos superou no São João e  é era por ele conhecida) já, em tão pouco tempo estar nos superando no Carnaval. Uma prova disto é que o governo do estado a escolheu prá ser o polo da região. E se não foi este ano, pois já anunciaram em cima da hora e muita gente já estava agendada prá o carnaval em outro canto, poderá ser no próximo ano. Tal medida provocou a reação de um vereador do PSB local, que inconformado Com o fato de Arcoverde não ter Tradição em Carnaval, nem tinha quase nada em folia, aprovou na câmara uma moção de repúdio à FUNDARPE Talvez, bem intencionado, pense em estar defendendo os interesses do município, mas deveria refletir mais. Não acredito que isto foi por peso político do prefeito de Arcoverde Zeca Cavalcanti e falta de prestígio de Sertânia, afinal, o deputado estadual da terra é tão amigo do governador... Ora, Arcoverde é competente, os eventos que faz tem um projeto com tema definido, que vai desde as atrações com temática  a cada noite, folder, divulgação lá fora, até a ornamentação. É assim no São João, o 2º maior do estado e agora  no "Carnaval dos Bois", em homenagem aos 15 anos da morte Chico Science, (vê que sacada!), trazendo atrações nacionais como Zeca Baleiro, Lirinha, Fundo de Quintal, Cristina Amaral, entre outros, com polos nos bairros e muito folclore e criatividade. E Sertânia além de espernear, propôs o que a FUNDARPE? Um projeto? Alceu Valença? Claudionor Germano? Alcimar Monteiro (que tá dando um show com ritmos carnavalescos)? Não, colocamos Trio Huana, Marreta Y O Planeta e outras baboseiras do gênero, tudo em nome de uma mistura de populismo e mau gosto. Gostamos de ser medíocres? Então, não reclamemos.


Até porque esta situação poderia ter sido mudada. Basta lembrar ao mesmo vereador, que, então líder do governo na câmara, apresentou um projeto- de- lei que disciplinava e priorizava a contratação de artistas que tinham mais ligação com frevo e ritmos pernambucanos e a música de qualidade, Recebeu nosso apoio, das entidades culturais da cidade e até de todos os vereadores da oposição, mas foi vetado pela prefeitura e  derrotado na votação em plenário pelos próprios membros do seu grupo político, demonstrando que eles não têm compromisso e nem gostam da música boa, especificamente da música pernambucana, nem estão preocupados em educar a sensibilidade musical de nossa gente. Além do mais nossa festa perde em identidade, em criar uma marca, um tema. "Carnaval do povo" é algo já muito banalizado e vago, que, aliás, esta história de homenagear o povo só é justamente em ano de eleição municipal (2000,2004 e 2008), denotando demagogia eleitoreira. A ornamentação das sombrinhas criadas Pelo Talentoso Artista Plástico Ruy Sales em 1999, é requentada a cada ano, junto com as bonecas dos anos 2000. Estamos em 2012, mas as tiras coloridas dos postes da ornamentação são as de 15 anos atrás, motivando até piada do carnavalesco e poeta Anacleto que diz que se armá-las de um lado são de carnaval, mas se jogá-las prá cima já caem prontas pro nosso moribundo São João. Faltam ideias, gente qualificada e disposta a ouvir sugestões, projeto.


De qualquer forma tenho esperança no carnaval de Sertânia, nos blocos alternativos, Os tangerinos, uma atração genuína e cultural dos nossos festejos momescos. No Movido ao Uísque, um Manjar para os olhos e a alma,  deste maior carnavalesco que temos em Sertânia, Rinaldo Lima, este ano homenageando  um dos maiores artistas de Sertânia, meu poeta, cantor e violonista Chico Arruda.  Ele, nosso carnaval, já desfrutou de grandes glórias e pode voltar a tê-las. Basta seus dirigentes terem a humildade de, ao invés de se irritarem com as criticas, fazerem uma autocrítica  e tentar corrigir e melhorar. Se houver esta vontade é meio caminho andado. E muita gente se dispõe a colaborar. Compositores com músicas nossas, músicos, Artistas plásticos, foliões, propostas, talento e garra não faltam a Sertânia. Para começar que tal uma parceria patrocinando a Rádio para em Novembro começar a tocar frevo, principalmente dos compositores da terra: Francisquinho, Anacleto, Jairo e outros vencedores de festivais no Recife como Walmar, Wilson Freire e Reginaldo Siqueira. Em janeiro o povo iria tá afiado com os frevos da terra. Não seria fácil, mas também não seria tão difícil, Para que, como diria o mestre "Dema", em nosso hino em ritmo de frevo, na voz de Cristina Amaral:

"... Embora vá-se tudo ao Deus dará

calamidade em solo brasileiro,

Sertânia se ergue deste mar de Pó

para a ressureição do Moxotó ..."


Tenho dito!

Com informações da Sertâniense Vitória Chaves Feitosa ( Minha tia Preferida)

 
 
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Vaquejada em Sertânia

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